Certa vez ouvi o mestre Divino falar que bateria tem padrão e batucada tem estilo, achei de uma inteligência enorme essa frase e me perguntei se essa teoria só serviria para as escolas de samba, vi que não, pois a cada disco de samba que se lança por ai, principalmente ou exclusivamente se falando dos trabalhos fonográficos de artistas paulistanos, vemos tudo igual.
Não consigo gostar desse estilo "atual" de se gravar sambas, é sempre a mesma coisa, o surdo chama, entra o pandeiro e o repique de mão, na segunda o surdo para e aparece o repique de anel com um tamborim tímido e um agogô quase mudo, hora ou outra tem uma cuíca e um reco-reco, sempre com as mesmas frases e levadas.
O mais engraçado é que virou padrão, exatamente como o Divino falou, e onde fica a batucada? Lembra quando o surdo tocava em segunda, o repique de anel vinha cortando tudo feito um surdo de terceira, os naipes de tamborim faziam a festa? Salve Luna, Marçal e Eliseu! Lembra quando o pandeiro vinha brincando sem hora pra entrar ou sair? Lembra? Nunca se adivinhava o que iria acontecer, ô tempo bom! Hoje em dia já se sabe tudo o que vai rolar nos CDs, quem está tocando, quem está produzindo, dirigindo e arranjando, afinal, são sempre os mesmos nomes, os mesmos instrumentos e as mesmas caras e bocas, que fazem mal e acham que estão dando aula, banhos de criatividade, mas temos que respeitar... São berços, comunidades e a nova guarda do samba, a "Voz do Morro"! Nada disso, estão todos engrandecendo suas respectivas "quebradas" e deixando o bom samba e a boa batucada de lado.
Não sou um exímio ritmista e sim um batuqueiro, um tocador a moda antiga, que prefere tudo as avessas, tudo mal mixado, não masterizado e com emoção, a um samba simpático ao "putz putz" que por ai rola, sem vida sem emoção e por fim... IGUAL.
Igual por igual, prefiro o Zeca!
Raphael Moreira
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
domingo, 17 de agosto de 2008
Adriana Moreira na Esquina da MPB

Por Mariana Resegue*
A combinação da esquina Ipiranga e São João com música brasileira há muito foi celebrada por Caetano Veloso. Porém a Esquina da MPB vem reinventando essa antiga dupla, apresentando shows da nova geração de músicos brasileiros e de novas tendências, firmando-se como alternativa para os paulistanos apreciadores da boa música. Na última sexta-feira, o palco recebeu a talentosa Adriana Moreira que, com seu jeito próprio de fazer samba, mostrou ser uma das grandes promessas da música nacional.
Criada na quadra da escola de samba paulista Camisa Verde e Branco, Adriana entende e muito de samba. Mostrou isso cantando composições novas, como a bela música “O Sorriso do Sambista” do compositor e amigo Renato Fonte — presente na platéia —, e resgatando composições antigas de músicos como Paulo Vanzolini, Candeia e Paulo César Pinheiro, entre outros. Como não podia faltar, ela também celebrou clássicos de Chico Buarque, Cartola, João Bosco, Dona Ivone Lara e outros grandes nomes da nossa música, inclusive passando por outros ritmos brasileiros como o forró, cantando “Pau de Arara” de Luiz Gonzaga.
Além do repertório diversificado, a intérprete mostrou-se entregue ao público, fazendo uma apresentação de três horas sem intervalo. O público retribuiu de bom grado, dançando e cantando os sambas com entusiasmo. A sintonia entre cantora e platéia foi tanta que Adriana ultrapassou em quase duas horas o horário previsto, entrando madrugada adentro com a sua música. Vale dar mérito também aos instrumentistas da banda: Marcel, com seu cavaquinho cinco cordas, e Junior, com o violão sete cordas, que tocaram de forma harmoniosa, acompanhados da percussão bem ritmada feita pelo filho e pelo sobrinho de Adriana, deixando os sambas ainda mais bonitos.
Ao final da apresentação, e já descalça, Adriana estava em casa. Conversou com o público, atendeu pedidos de músicas e elogiou o ânimo da platéia. São exemplos como esses que mostram que o samba paulista tem muita tradição, apesar de ser pouco conhecido do grande público. Para quem quiser conhecer, vem pra Esquina pra ver.
*Mariana Resegue é estudante de Jornalismo da PUC-SP e de Ciências Sociais da USP e colaboradora da produtora Muda Cultural.
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